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Você também tem medo de "dar errado"?

Foto do escritor: gisellyliragisellylira

Pelo que vejo hoje na minha vivência profissional, tanto o primeiro momento da escolha profissional (que é quando você está saindo do Ensino Médio), quanto a escolha da ênfase ou área de atuação (depois que já se está na faculdade), provocam no jovem um medo muito grande de testar caminhos e falhar. É o medo de "escolher errado" e, com isso, ser uma pessoa que "dá errado".

 

Atualmente, nós vemos o sucesso do outro estampado em todo lugar, e ninguém fala sobre as várias vezes que fracassou até chegar onde está. Então dá a impressão de que a caminhada do outro é contínua e perfeita, enquanto a nossa é torta e cheia de dificuldades.

 

Quando comecei a buscar uma vaga de estágio, fiz muitas entrevistas até ser aceita no primeiro, mandei um monte de currículos e recebi a resposta de que eu não era a pessoa que a empresa procurava (várias vezes). Diante disso, minha decisão foi: expandir meus recursos profissionais e pessoais. Então fiz muitos cursos além da faculdade, treinei e treinei, até estar mais segura de que eu conseguiria exercer minha profissão.

 

Hoje, numa entrevista, eu tenho confiança em defender o meu trabalho e a qualidade dele. Mas vejo conhecidos que não estão empregados ou estão em empregos que odeiam - e não é porque estão sendo rejeitados. Eles não enviam seus currículos, porque têm medo de receber um não. Têm dificuldade em lidar com essa simples frustração e estão esperando alguma oportunidade cair no colo.

 

Mesmo inseguros da própria capacidade ao final da faculdade, também não procuram desenvolver recursos que deem a eles autoestima e confiança. Estão esperando que, do nada, se tornem o "profissional perfeito". E aí sim poderão se expor nas empresas e, "com certeza", serão contratados (eles pensam).

 

É a dificuldade em lidar com frustrações, com o "não", com a possibilidade de ir por um caminho, falhar, e ter que tentar por outro. Todo mundo quer ter "sucesso" mágico, rápido, sem muito esforço e sem nem parar para refletir sobre o que - de fato - é o sucesso. As redes sociais têm uma grande influência nisso tudo, claro, porque elas nos fazem nos comparar com o outro o tempo todo. Mas como o outro só posta seus sucessos, sempre achamos que ele é/está melhor do que nós.

 

Na geração dos meus pais, todo mundo tinha seu caminho pessoal e profissional muito bem definido - principalmente nas pequenas cidades, porque as opções eram pouquíssimas. Com tal idade se casariam, logo depois teriam 2 filhos. Mulheres fariam Contabilidade ou Magistério, homens fariam Engenharia ou Direito. Hoje, porém, a imensa quantidade de possibilidades causa desespero, e a todo momento temos que fazer escolhas profissionais, mesmo não sabendo fazer isso.

 

É bem mais fácil, e requer menos reflexão, quando apenas seguimos um script que nos foi dado. Inclusive, já ouvi de amigos que eles não querem pensar, que desejam que alguém diga a eles exatamente o que fazer. Já as mulheres precisam desenvolver mais a reflexão enquanto crescem, (porque precisam criar estratégias para serem reconhecidas e valorizadas durante a vida), então parecem estar relativamente mais abertas a essas problematizações.

 

Mas para além dessas mudanças geracionais, a tecnologia também avança rapidamente, e há sempre a história das profissões do futuro (que não se sabe exatamente se já existem ou não) e a história da extinção de inúmeras profissões existentes (será a minha?). Então, como muitos consideram que a escolha profissional é eterna e que decidir mudar de caminho é sinal de fracasso, aumentamos ainda mais a pressão para fazermos "escolhas certas".

 

Como se isso fosse possível e como se existissem escolhas realmente certas...

 

Giselly Lira

Psicóloga | Orientadora Profissional

CRP 05/21198

 
 
 

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